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Cassiano
Ricardo
Leite nasceu em São José dos Campos, estádio de São Paulo. Poeta, ensaísta e
jornalista. Passa a infância na pequena propriedade rural da família,
realizando os estudos primários em sua cidade natal, e o ginásio, em Jacareí,
São Paulo. Por influência da mãe, escreve seus primeiros versos ainda na
escola. Passa a viver na capital paulista em 1915, quando ingressa na Faculdade
de Direito do Largo de São Francisco, mas conclui o curso de direito no Rio de
Janeiro. Estreia em livro em 1915, com os poemas de Dentro da Noite, e, em 1917, lança A Frauta de Pã. Este recebe elogios dos parnasianos Olavo Bilac e Alberto
de Oliveira. Atua como advogado inicialmente em São Paulo, e depois no Rio
Grande do Sul, de 1920 a 1923. De volta à capital paulista, integra o grupo
dissidente da Semana de Arte Moderna, organizando os grupos Anta e Verde-Amarelo,
com os escritores Menotti del Picchia, Plínio Salgado (1895 - 1975) e Raul Bopp.
O nacionalismo dessa fase tem seu ápice nos poemas de Martim Cererê (1928). Ricardo abandona a advocacia e entra para o
funcionalismo público, ocupando cargos diversos: inicialmente o de censor, e,
em 1932, o de secretário do interventor paulista Pedro de Toledo, sendo preso
por dois meses por apoiar a Revolução Constitucionalista. É eleito para a
Academia Brasileira de Letras, em 1937. Dirige, de 1940 a 1945, o órgão oficial
A Manhã, em que cria o suplemento Autores e Livros e partir do qual se
torna um dos principais ideólogos do Estado Novo. Conforme o ensaio Marcha para o Oeste, de 1940, suas
ideias ultranacionalistas apostam na figura do bandeirante como introdutora do
sentimento nacional e representante da possibilidade de ascensão social. Em
1943, após 12 anos de silêncio poético, lança O Sangue das Horas, considerado o início de sua terceira fase,
metafísica. De 1953 a 1955, permanece na Europa, como diretor do Escritório
Comercial brasileiro em Paris. Publica, em 1964, Jeremias Sem-Chorar e, em 1971, Os
Sobreviventes, incorporando procedimentos da vanguarda concretista. Morre
no Rio de Janeiro em 1974.
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A ORQUÍDEA
A
orquídea parece
uma flor viva, uma
boca, e nos assusta.
Flor aracnídea.
Vagamente humana,
boca, embora feita
de inocentes pétalas,
já supõe perfídia.
Já supõe palavra
embora muda.
Já supõe insídia.
Que estará dizendo
o lábio quase humano
da orquídea?
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SONETO DA AUSENTE
É impossível que na furtiva claridade
que te visita sem estrela nem lua,
não percebas o reflexo da lâmpada
com que te procuro pelas ruas da noite.
É impossível que, quando choras, não vejas
que uma de tuas lágrimas é minha.
É impossível que, com o teu corpo de água jovem,
não adivinhes toda a minha sede.
É impossível não sintas que a rosa
desfolhada a teus pés, ainda há um minuto,
foi jogada por mim, com a mão do vento.
É impossível não saibas que o pássaro,
caído em teu quarto por um vão da janela,
era um recado do meu pensamento!
***
SERENATA SINTÉTICA
Lua
morta.
Rua
torta.
Tua
porta.