quarta-feira, 16 de maio de 2012

ANTÔNIO RISÉRIO (1953 - )


Antonio Risério é poeta, escritor e antropólogo. Fez política estudantil em 1968, mergulhou na viagem da contracultura, editou revistas de poesia experimental na década de 70 e escreveu para a imprensa brasileira. Teve suas parcerias poético-musicais gravadas por diversas estrelas da música popular brasileira, como Caetano Veloso. Integrou a equipe que coordenou a implantação da televisão educativa na Bahia, foi um dos criadores e diretores da Fundação Gregório de Mattos, concebeu e dirigiu o Centro da Referência Negromestiça (Cerne). São de sua autoria os argumentos e roteiros para a série O povo brasileiro, adaptação para a televisão da obra de Darcy Ribeiro.  Dentre os seus livros, destacam-se: Carnaval Ijexá - notas sobre os blocos e afoxés do novo carnaval afrobaiano, 1981; O poético e o político (em parceria com Gilberto Gil), 1988; Caymmi - uma utopia de lugar, 1993; Textos e tribos – poéticas extraocidentais nos trópicos brasileiros, 1993; Avant-garde na Bahia, 1996; Oriki Orixá, 1996; Ensaio sobre o texto poético em contexto digital, 1998; e A Via Vico e outros escritos, 2000. Seus poemas foram reunidos em Fetiche (Fundação Casa de Jorge Amado, 1996).Tem poemas editados em antologias no Brasil e no exterior.  Pela Versal Editores, publicou Adorável Comunista e Uma História da Cidade da Bahia.





  
ORIKI DE XANGÔ I

Lasca e racha paredes
Racha e crava pedras de raio
Encara feroz quem vai comer
Fala com o corpo todo
Faz o poderoso estremecer
Olho de brasa viva
Castiga sem ser castigado
Rei que briga e me abriga


***


VIA PAPUA

desamarra a quilha, canoa
desamarra a quilha
e voa

(vai pelo ar
pelo mar
e sobre a ilha;
voa sobre o que
se armadilha)

mas voa leve, canoa
e leva uma estrela
na ponta da proa

cruza o mar, a névoa
o peito, a boca, a língua
almas que invadem nuvens
dobras de angra e de íngua

(mas voa leve, canoa
há uma estrada inteira
na ponta da tua proa)

e que o ar mais leve a leve
e faça das algas do céu
a minha única
e exclusiva
coroa,

canoa.



***




ARTE POÉTICA

na serra da desordem
no piracambu tapiri
em cada igarapé do pindaré
em cada igarapé do gurupi
existe uma palavra
uma palavra nova para mim


Um comentário:

  1. Muito impressionada com minha ignorância de não conhecer esta magn[ifica poesia ou estes incríveis poemas. Também sou feita de antropologias e poemas. Me bateu forte esse vento da papua. abraços

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