quarta-feira, 8 de agosto de 2012

MÁRIO DE LIMA (1886-1936)

Mário Franzen de Lima foi um  poeta, ensaísta, polemista, jurista e professor brasileiro, filho de Bernardino de Lima e Esther Franzen de Lima. Estudou no Colégio Salesiano Dom Bosco, de Cachoeira do Campo, formando-se pela Faculdade de Direito de Minas Gerais, hoje UFMG, onde mais tarde lecionou Filosofia do Direito. Foi promotor de Justiça em Rio Novo, reitor do Ginásio Oficial de Barbacena, diretor do Arquivo Público Mineiro e da Imprensa Oficial do Estado de Minas Gerais. Secretário da Presidência de Minas nos governos de Fernando de Melo Viana e Antônio Carlos Ribeiro de Andrada e delegado-geral do estado de Minas na Exposição Internacional do Centenário da Independência. Foi um dos fundadores da Academia Mineira de Letras, da qual foi presidente em 1921-1922 e do Instituto Histórico de Minas. Cavaleiro da Ordem da Coroa da Bélgica e titular da Goldene Ehrzeichen da República da Áustria, que lhe foi conferida pelo Presidente Michael Hainisch, em 9 de fevereiro de 1928. Movido por um parnasianismo tardio, Mário de Lima passou ao largo do movimento modernista, apesar de suas ligações com Carlos Drummond de Andrade, que elogiou seu livro de estréia. Exceção ao formalismo parnasiano é o poema Pirâmide, curiosa antecipação concretista "avant la lettre". Sua maior influência provém de Alberto de Oliveira, Olavo Bilac e, sem sombra de dúvida, de seu tio Antônio Augusto de Lima. Entre muitas obras publicadas, encontram-se: Ancenúbios, poesia, 1908. Audiências de Luz, poesia, 1917. Medalhas e brasões, poesia e sínteses históricas, 1918. O mito solar nos Evangelhos, ensaio de crítica histórica, 1914. A escola leiga e a liberdade de consciência, estudo filosófico, 1914. Elogio do Marquês da Sapucaí, estudo histórico, 1915. Esboço da história literária de Minas, 1920. Idéias e comentários, crônicas e estudos, 1921. O bom combate, história da Ação Católica, 1929.






QUADRINHA



Tortura menos a mágoa 
que lágrima aos olhos traz, 
porque nesta gota d'água 
é que a dor se liquefaz.



***



POLOS 


Há dois polos na vida, ambos sinistros, ambos 
possuindo a gelidez extrema da Sibéria: 
o Luxo, a sanguessuga insaciada; e, em molambos, 
o rebotalho vil, famulento - a Miséria. 

Não sei quem seja mais miserável: se os bambos, 
broncos vultos que dão, a troco de uma féria 
mesquinha, anos de vida, ou se os tipos estrambos 
que nadam no ouro desde o berço à urna funérea... 

Entre esses polos vaga a gente que tem fome 
e pede mais amor, mais justiça lhe assista... 
E tirita de frio e a lidar se consome... 

Ai dos pequenos! Ai dos vencidos! À vista 
dessa desigualdade imoral e sem nome, 
rompe de cada peito um grito socialista.  


***



VIRGEM AUXILIADORA 

Minha Nossa Senhora Auxiliadora, 
Mãe de misericórdia e de perdão, 
Sê, por piedade, a minha protetora 
nas amarguras deste mundo vão. 

Em minha alma teus zelos entesoura... 
Nunca olvides meu pobre coração... 
E fulge, sempre, ó luz consoladora, 
em meio às sombras que o envolvendo estão. 

Ó milagrosa Virgem de D. Bosco, 
ouve a súplica humilde, o verbo tosco, 
de um frágil pecador, mísero réu... 

Acompanha na vida o meu fadário... 
E seja, à hora da morte, o teu rosário, 
a escada augusta que me leve ao céu!


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